Saiba mais sobre a dengue na gravidez

2 de fevereiro de 2017

Dengue na gravidez

Escrito para o BabyCenter Brasil
Aprovado pelo Conselho Médico do BabyCenter Brasil

 

Na gravidez, as defesas do organismo ficam mais fracas, e isso quer dizer que a dengue pode ter sintomas mais graves em gestantes. A doença pode ser perigosa, causando complicações como hemorragia, convulsões, falência hepática e até a morte. Por isso é essencial tratá-la o quanto antes.

Na maior parte dos casos, o bebê não é afetado se a mãe pegar dengue durante a gravidez. Mas, se for uma infecção grave, pode levar a complicações como aborto espontâneo, parto prematuro, anomalias neurológicas fetais e baixo peso ao nascer. A transmissão vertical, ou seja, da mãe para o bebê, ainda está sendo estudada, mas não é comum.

No caso de haver aborto espontâneo ou a infecção ocorrer perto do parto, a equipe médica precisa monitorar o risco aumentado de hemorragia. Nesses casos, de acordo com o Ministério da Saúde, a cesariana pode trazer complicações mais graves que o parto normal.

O mais importante, no caso de dengue na gravidez, é procurar assistência médica logo, para diminuir os riscos para você e para o bebê. Na grande maioria das vezes, com o atendimento e o monitoramento corretos, a mãe se recupera sem problemas e fica tudo bem com o bebê.

Quais são os sintomas da dengue?

A dengue começa com febre alta repentina, dor de cabeça e em torno dos olhos e dor muscular e nas articulações. Entre outros sintomas estão tremores, diarreia, enjoo, perda de apetite, mudanças no paladar, sensibilidade ao toque, vômitos e em alguns casos placas vermelhas na pele. Os sintomas começam entre 4 e 10 dias depois da picada.

Como esses sintomas são muito parecidos com os de qualquer outra infecção viral, inclusive com a zika e a chikungunya, só um exame de sangue específico pode confirmar a presença do vírus da dengue. O resultado, no entanto, pode demorar dependendo do tipo do exame.

Os resultados do hemograma, um exame simples de sangue, podem ser úteis na indicação de que se trata de dengue.

O importante é iniciar o tratamento para os sintomas o mais rápido possível, mesmo sem a confirmação do diagnóstico por exame de sangue, e especialmente em áreas onde a doença estiver mais comum. Deve-se relatar à equipe médica qualquer viagem que tenha sido feita nas últimas duas semanas, para ajudar a esclarecer se se trata de dengue.

Como é o tratamento da dengue na gravidez?

O tratamento da dengue consiste em amenizar os sintomas, com a reidratação oral ou intravenosa (administração de soro pela veia), repouso e manutenção da atividade sanguínea — o que pode exigir internação hospitalar. A doença costuma se curar sozinha em até dez dias, mas a recuperação total pode levar entre duas e quatro semanas.

Não tome remédios por conta própria se houver suspeita de dengue, porque há certas substâncias que favorecem hemorragias, como os anti-inflamatórios.

Diferentemente da chikungunya, a dengue não deixa sequelas nem se torna crônica.

Quais são os sinais de alerta para dengue grave?

A versão grave da dengue normalmente se manifesta quando a febre começa a baixar, a partir do terceiro dia. São sinais de alerta:

  • Dor abdominal intensa
  • Vômitos persistentes
  • Acúmulo de líquidos, inchaço
  • Sangramento em qualquer parte do corpo

Se eu tiver dengue, vou ficar imune pelo resto da vida?

Infelizmente não. Existem quatro tipos diferentes de vírus da dengue. A infecção causada por um tipo não imuniza para a doença causada pelos outros, portanto, em tese, é possível ter a doença quatro vezes.

Quem já teve dengue uma vez corre mais risco de apresentar a versão grave da doença numa segunda infecção. Na versão grave, pode haver hemorragias.

Quem está com dengue pode amamentar?

Pesquisas mostram a presença de anticorpos contra a dengue no leite materno e no colostro, o que indica que amamentar protege o bebê do vírus, em caso de a mãe estar com dengue. Por isso é recomendado amamentar normalmente.

Como evitar a dengue?

A dengue não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa. As pessoas pegam o vírus quando são picadas pelo mosquito Aedes aegypti, desde que o inseto já tenha picado uma outra pessoa infectada antes.

O mosquito costuma picar durante o dia, e próximo à área onde se reproduz (sua autonomia de voo dificilmente ultrapassa os 100 metros). Uma vez que pique uma pessoa contaminada, o mosquito pode carregar o vírus por toda a vida — e a vida dele dura cerca de 40 dias.

Além de combater os focos de mosquito, como poças d’água, onde eles possam se reproduzir, você precisa adotar medidas de prevenção como:

  • Usar roupas claras.
  • Usar calça comprida e blusa de manga comprida para reduzir a exposição da pele.
  • Tentar se manter em áreas mais frescas ou com ar condicionado, já que o mosquito não sobrevive em temperaturas baixas.
  • Usar repelentes e mosquiteiros para evitar ser picada.

Que tipo de repelente grávida pode usar?

De acordo com a obstetra Eleonora Fonseca, a grávida pode usar as seguintes alternativas:

  • Repelente comum em creme ou spray, nas áreas de pele expostas. O repelente precisa ser a “última camada”, ou seja, aplicado por cima de hidratantes ou filtro solar, e deve ser reaplicado depois do tempo indicado na embalagem ou depois de entrar na água.
  • Repelente especial para bebê
  • Repelente especial para ser aplicado nas roupas
  • Repelente caseiro feitos à base de álcool e cravo-da-índia (embora a eficácia não seja atestada pela Anvisa)
  • Inseticida elétrico
  • Inseticida em spray, deixando a substância se dispersar por alguns minutos antes de ficar no mesmo ambiente.

Veja mais: central de informações sobre zika, dengue e chikungunya</a>

 

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